Mecanismos de defesa

O sistema nervoso apresenta mecanismos de defesa altamente especializados, fundamentais para preservar a integridade de suas células. Os neurônios, especialmente os do Sistema Nervoso Central, possuem capacidade limitada de regeneração. Por isso, o organismo combina estruturas físicas de proteção, barreiras seletivas e ações celulares que mantêm o microambiente estável e respondem a agressões.

Proteção estrutural e física

O Sistema Nervoso Central é resguardado por um conjunto de estruturas anatômicas e fluidos que o isolam de impactos mecânicos e variações abruptas do meio interno.

As meninges formam três camadas de tecido conjuntivo que envolvem o encéfalo e a medula espinhal. A dura-máter constitui a camada mais externa e, no encéfalo, permanece firmemente aderida ao crânio. A aracnoide ocupa a posição intermediária e delimita o espaço subaracnoide, por onde circula o líquido cerebrospinal. A pia-máter é a camada mais interna e acompanha intimamente a superfície do tecido nervoso.

O líquido cerebrospinal, presente nos ventrículos e no espaço subaracnoide, funciona como um amortecedor hidráulico. Ele reduz o impacto de movimentos bruscos, contribui para a distribuição de nutrientes e auxilia na remoção de metabólitos. Do ponto de vista fisiológico, promove também um ambiente físico-químico estável para a atividade neuronal.

Barreiras seletivas e homeostase do microambiente

A estabilidade do microambiente neural é essencial para a excitabilidade adequada dos neurônios. Para isso, o SNC conta com barreiras que regulam rigorosamente a passagem de substâncias entre os compartimentos do corpo.

A barreira hematoencefálica é formada por células endoteliais capilares unidas por junções apertadas, apoiadas por membrana basal e por prolongamentos de astrócitos. Essa organização impede a livre difusão de muitos solutos plasmáticos e protege o tecido nervoso de toxinas, variações bruscas de eletrólitos e patógenos.

A barreira sangue-líquido cerebrospinal ocorre no plexo coroide, onde células epiteliais coroidais também apresentam junções apertadas. Esse epitélio regula a composição do líquido cerebrospinal e impede a entrada direta de componentes sanguíneos que poderiam comprometer a função neuronal.

Células de suporte e imunidade

As células gliais exercem papel central nos mecanismos de defesa do sistema nervoso. Sua função vai além do suporte estrutural e inclui atividades de vigilância imunológica e reparo.

A micróglia atua como principal célula de defesa no SNC. Em condições de repouso apresenta morfologia ramificada e monitora o ambiente; quando ativada, torna-se fagocítica, removendo detritos celulares, proteínas alteradas e agentes infecciosos. Em situações de dano, a micróglia se prolifera e participa do processo inflamatório controlado.

Os astrócitos contribuem para a manutenção da barreira hematoencefálica, regulam concentrações iônicas e captam neurotransmissores em excesso. Após lesão, proliferam e formam uma cicatriz astrocítica. Essa cicatriz ajuda a conter a inflamação local e limita a propagação do dano, mas também cria um ambiente que dificulta a regeneração axonal.

Mecanismos de reparo

Os processos de reparo apresentam diferenças marcantes entre o Sistema Nervoso Periférico e o Sistema Nervoso Central.

No sistema nervoso periférico, a regeneração é relativamente eficiente. Quando ocorre lesão de um axônio, as células de Schwann reorganizam-se ao longo do trajeto do axônio lesionado e formam estruturas que orientam o broto axonal em crescimento. A integridade dessas células é um determinante importante para o sucesso da regeneração.

No sistema nervoso central, a capacidade regenerativa é mínima. A presença de moléculas inibitórias na mielina oligodendroglial, a formação de cicatriz astrocítica e a limitada capacidade proliferativa das células gliais dificultam ou impedem a recuperação anatômica e funcional após dano. Embora esse processo proteja o SNC de inflamações persistentes, também limita o restabelecimento das conexões neuronais.