A ventilação pulmonar corresponde ao movimento do ar para dentro (inspiração) e para fora (expiração) dos pulmões. O componente mais importante desse processo é a ventilação alveolar, que assegura a chegada do ar fresco aos alvéolos, que são as unidades anatômicas onde ocorrem as trocas gasosas com o sangue.
A mecânica respiratória descreve como as variações de volume pulmonar criam gradientes de pressão que impulsionam o fluxo de ar. O ar move-se sempre de regiões de maior pressão para regiões de menor pressão, e essas diferenças resultam de alterações no volume torácico durante os movimentos respiratórios.
Entre a parede torácica e a superfície pulmonar, encontra-se uma fina camada de fluido pleural, que adere as pleuras visceral e parietal e mantém os pulmões insuflados. Essa interação gera uma pressão intrapleural negativa (subatmosférica), geralmente próxima de -4 mmHg em repouso. A negatividade dessa pressão é fundamental para evitar o colapso pulmonar.
Durante os movimentos respiratórios, a diferença entre a pressão alveolar (intrapulmonar) e a pressão atmosférica determina a direção do fluxo de ar. Quando a pressão alveolar é menor que a atmosférica, o ar entra; quando é maior, o ar sai.
A inspiração é, em condições de repouso, um processo ativo, pois depende da contração dos músculos respiratórios para expandir a cavidade torácica e reduzir a pressão alveolar.
A expiração é o movimento do ar para fora dos pulmões e pode ocorrer de duas formas, dependendo do esforço respiratório.
O volume de ar inspirado ou expirado em cada ciclo respiratório normal é denominado volume corrente (tidal volume, Vₜ). Parte desse volume chega aos alvéolos e participa das trocas gasosas, mas uma fração permanece em regiões das vias aéreas que não realizam troca gasosa, conhecidas como espaço morto anatômico.
A eficiência da ventilação depende, portanto, da proporção entre o ar que realmente alcança os alvéolos e o que permanece nas vias condutoras.
A movimentação de ar promovida pela ventilação pulmonar garante a renovação constante do ar alveolar. É nessa interface, entre o ar inspirado e o sangue capilar, que ocorrem as trocas gasosas, tema abordado no próximo tópico.
