A endocrinologia é o estudo do sistema endócrino, uma rede de comunicação química que integra e coordena a atividade celular em todo o organismo. Por meio de seus mediadores, os hormônios, esse sistema regula processos essenciais como crescimento, metabolismo, reprodução, resposta ao estresse e manutenção da homeostasia.
O sistema endócrino funciona de maneira integrada com os sistemas nervoso e imune, formando um conjunto regulatório capaz de ajustar o funcionamento dos órgãos frente às demandas internas e externas.
Os hormônios são mensageiros químicos liberados pelas glândulas endócrinas diretamente na corrente sanguínea, por onde alcançam os tecidos-alvo. O termo “hormônio” origina-se do grego hormán, que significa “pôr em movimento”, refletindo sua função de ativar, modular ou inibir processos fisiológicos.
De acordo com sua estrutura química, os hormônios são classificados em três grupos:
O processo de produção e liberação hormonal depende diretamente da natureza química da molécula:
São sintetizados inicialmente como moléculas precursoras, processadas e refinadas no retículo endoplasmático e no complexo de Golgi até atingirem a forma biologicamente ativa. Depois disso, são armazenados em vesículas secretoras, prontas para serem liberadas por exocitose em resposta a estímulos específicos, como aumento de cálcio intracelular ou ativação de segundos mensageiros.
Produzidos a partir do colesterol por vias enzimáticas que ocorrem nas mitocôndrias e no retículo endoplasmático. Ao contrário dos hormônios peptídicos, não são armazenados. Assim que sintetizados, atravessam livremente a membrana e são liberados para a circulação. O colesterol necessário pode estar disponível no meio intracelular em forma de estoques.
A solubilidade do hormônio determina como ele será transportado:
A ação de um hormônio depende da presença de receptores específicos nas células-alvo. Como são distribuídos por todo o corpo, uma vez que sua via de transporte é pelo sangue, as células ou tecidos alvo de um hormônio são aqueles que expressam seu receptor. A quantidade desses receptores pode variar amplamente, influenciando a sensibilidade celular.
Existem dois grandes grupos de receptores hormonais:
Utilizados por hormônios peptídicos e proteicos. O hormônio liga-se ao receptor localizado na superfície celular, ativando sistemas de segundos mensageiros (como AMPc ou Ca²⁺). As respostas são geralmente rápidas, envolvendo alterações em vias metabólicas ou abertura/fechamento de canais iônicos.
Utilizados por hormônios lipossolúveis, como esteroides e hormônios tireoidianos. Esses hormônios atravessam a membrana, ligam-se a receptores no citoplasma ou diretamente no núcleo e atuam modulando a expressão gênica. Essas respostas são mais lentas, pois dependem da síntese de novas proteínas.
O organismo mantém níveis hormonais dentro de limites estreitos por meio de mecanismos de retroalimentação:
É o mecanismo mais comum. O hormônio final de uma via, ou a resposta fisiológica resultante, inibe etapas anteriores daquela via. Esse processo evita excessos e mantém a estabilidade interna.
Menos frequente, amplifica um estímulo inicial. O exemplo clássico ocorre no ciclo reprodutivo de fêmeas, quando níveis elevados de estrogênio aumentam a liberação de LH, desencadeando a ovulação. Apesar de intenso, é um mecanismo temporalmente limitado.
A secreção hormonal não é contínua: muitos hormônios são liberados de forma pulsátil, com variação conforme ciclos diários (circadianos), sazonais, reprodutivos ou etários. Esses ritmos refletem a forte integração entre o sistema endócrino e estruturas neurais reguladoras, especialmente o hipotálamo.
Os eixos endócrinos são sistemas de comunicação hormonal organizados em cadeia, nos quais diferentes níveis de produção e liberação de hormônios se conectam para coordenar funções vitais do organismo. Eles representam uma forma altamente integrada de controle fisiológico, envolvendo interação constante entre o sistema nervoso central, o sistema endócrino e, em muitos casos, o sistema imune.
Os eixos endócrinos seguem um padrão estrutural clássico de três níveis, cada qual exercendo controle sobre o seguinte:
Essa organização sequencial garante amplificação, precisão e capacidade de ajuste fino na comunicação hormonal.
Outros eixos clássicos incluem o HPT (hipotálamo–pituitária–tireoide) e o HGH/IGF-1 (hormônio do crescimento e fatores de crescimento).