Mecanismos de Defesa do Aparelho Respiratório

O aparelho respiratório está em contato direto com o ambiente externo e, portanto, exposto continuamente a partículas, microrganismos e contaminantes suspensos no ar. Para proteger as delicadas superfícies de troca gasosa, o sistema respiratório conta com uma série de mecanismos de defesa integrados que atuam desde as vias aéreas superiores até a região alveolar.

Além de promover a ventilação, as vias de condução exercem funções de aquecimento, umidificação e purificação do ar inspirado, garantindo que o ar chegue aos pulmões em condições adequadas para a difusão gasosa.

Mecanismo mucociliar (clearance mucociliar)

A principal linha de defesa das vias aéreas condutoras (traqueia, brônquios e bronquíolos maiores) é o mecanismo mucociliar.

Essas regiões são revestidas por epitélio colunar pseudoestratificado ciliado, rico em células caliciformes e glândulas seromucosas. As células caliciformes e as glândulas produzem o muco, substância viscosa que aprisiona partículas inaladas e microrganismos.
O batimento coordenado dos cílios, em direção à faringe, impulsiona o muco carregado de detritos para fora das vias inferiores. Esse movimento contínuo permite que o material seja engolido e eliminado pelo trato digestório.

Partículas muito pequenas (com diâmetro inferior a aproximadamente 2 μm) podem escapar dessa barreira e atingir os bronquíolos terminais. Nessas regiões, células em clava exercem papel complementar na defesa, secretando proteínas semelhantes aos surfactantes com propriedades antimicrobianas e ajudando na detoxificação local.

Filtração mecânica e reflexos protetores

Nas vias aéreas superiores, o ar inspirado sofre filtração mecânica. Os pelos das narinas e o epitélio nasal retêm partículas maiores, enquanto a turbulência do fluxo de ar e o assentamento gravitacional favorecem a deposição de partículas nas mucosas da cavidade nasal e nos pontos de ramificação da árvore respiratória.

A epiglote atua como uma válvula anatômica, impedindo a entrada de alimentos e líquidos na laringe e na traqueia durante a deglutição.

Além disso, reflexos protetores, como a tosse e o espirro, são respostas fisiológicas rápidas a estímulos irritantes nas vias aéreas, expulsando o ar de forma vigorosa e removendo partículas e secreções acumuladas.

Defesa celular alveolar

Nas regiões onde o clearance mucociliar já não é eficiente, a proteção depende de mecanismos celulares especializados.

Os macrófagos alveolares constituem a principal defesa nessa zona. Essas células fagocitam partículas inaladas extremamente finas (menores que 0,3 μm), microrganismos e restos celulares. Após a fagocitose, os macrófagos podem migrar para o muco das vias aéreas, sendo então removidos pelo sistema mucociliar, ou permanecer no tecido pulmonar, onde participam da imunovigilância local.

Defesa imunológica

O epitélio respiratório e a submucosa contêm tecido linfoide associado ao trato respiratório (BALT – Bronchus-Associated Lymphoid Tissue). Esse tecido abriga linfócitos e plasmócitos, que produzem imunoglobulinas, especialmente IgA secretora, a principal imunoglobulina de defesa das mucosas.

A IgA neutraliza patógenos e impede sua adesão ao epitélio respiratório, complementando a ação dos mecanismos físicos e celulares. Dessa forma, o sistema respiratório combina barreiras mecânicas, celulares e imunológicas para manter a integridade das vias aéreas e preservar a função pulmonar.